Review: Arrow S04E21 - Monument Point

À certa altura deste antepenúltimo episódio da temporada, Malcolm Merlyn faz um breve comentário sobre o plano de Damien Darhk e o quanto se parece com aquele que o Arqueiro Negro tentou colocar em prática no primeiro ano da série, apenas para retrucar que agora a escala é global e não apenas centrada em Star City. É bom ver que o texto carrega uma dose de autoconsciência e tira sarro de si, já que a série chegou em um ponto que fazer sentido ou deixar de se repetir parecem esperanças tolas na mente dos fãs. O jeito é embarcar no ponto absurdo que o programa chegou e, mesmo consciente da falta de coerência dos roteiros, tentar se divertir de algum modo com as aventuras do Arqueiro Verde na TV.

O triste é notar o quanto essa temporada poderia ter oferecido, pois desde seu início era inegável o fato de que estava disposta a corrigir os erros do passado. Agora, na reta final, os realizadores adicionam novos erros à já esgotada rede de problemas encontrados na adaptação. O mais sentido pelo espectador em Monument Point, certamente, é o total desaparecimento de Curtis da trama. O personagem estava totalmente desenvolvido como um novo ajudante do Time Arqueiro e, quando os heróis mais precisam de sua ajuda, o texto simplesmente esquece de sua existência. Com Felicity fora da PalmerTech, e o alter ego do Sr. Incrível trabalhando lá, porque perder tempo com uma sequência toda mostrando os personagens invadindo o prédio para adquirir um processador ultramoderno?

Trazendo uma boa dose de urgência, com toda a crise de mísseis nucleares, o episódio tinha tudo para ser um dos pontos altos da quarta temporada, caso fosse mais direto ao ponto. Porém, suas inúmeras subtramas tornam a missão praticamente impossível. É difícil achar algo bom na decisão de, vez ou outra, parar a ação para focar em um ponto totalmente desinteressante, como o "dilema" entre Quentin Lance e Donna Smoak, ou as aventuras de Thea e Malcolm, personagens que parecem viver em looping, sempre nas mesmas situações em todas as temporadas. Ou ainda, focar toda a narrativa na busca pelo pai da Felicity, o único capaz de deter as ações de Darhk. Novamente, com Curtis introduzido na temporada, e a própria Srta. Smoak, por que "diminuir" as habilidades dos heróis para magicamente introduzirem a ideia do Calculador ser mais inteligente?

No entanto, entre as distrações encontradas neste episódio, nenhuma é pior do que aquela gerada pelos flashbacks, com uma trama paralela que parece jamais sair do lugar, com enfrentamentos pouco inspirados e a relação desinteressante entre Oliver e os prisioneiros russos.

A ideia de que os heróis, de certa forma, falham em deter o plano de Darhk por completo, acaba desperdiçada. Havia um grande potencial para trazer dilemas palatáveis para a série, mas a impressão é que os roteiristas preferem focar no óbvio, nas tramas fáceis e nas soluções cujo resultado acabam servindo mais pelo valor do choque do que pelo desenvolvimento de personagens. É exatamente o oposto ao que The Flash vem fazendo, por exemplo, especialmente levando em conta o episódio mais recente da adaptação do Velocista Escarlate.

Infelizmente, apesar do bom começo de temporada, este quarto ano de Arrow não parece disposto a terminar com a qualidade que entregou em suas primeiras incursões na TV e deve decepcionar os fãs, como na temporada anterior. Fica difícil ser positivo quando os episódios deixam de mostrar escalada em qualidade e só caem vertiginosamente para chegar ao mais do mesmo. Nem as autorreferências de Merlyn podem ajudar a manter a atenção e trazer alguma dose de diversão para a TV, caso o seriado não retome o rumo e volte a focar no que tinha de mais interessante em seu início: os próprios personagens.

Alexandre Luiz

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