Review: True Blood – A reta final da Sexta Temporada

(O texto a seguir compreende um balanço geral dos episódios 7,8e 9)

Por mais que True Blood tenha errado e cometido os mais terríveis equívocos ao longo dos anos, o charme e a simpatia dos seus personagens suplantaram uma fidelidade masoquista quando víamos a série definhar e se distanciar cada vez mais da brilhante trama que teve início lá em 2008. Eu fui um dos maiores detratores das duas temporadas anteriores mesmo, que de uma forma comedida, tecesse os elogios merecidos. Com três episódios para compor o derradeiro arco do sexto ano, True Blood não só mostrou um folego surpreendente, como também brincou com as mais variadas expectativas, indo do humor negro (e inspirado) ao drama existencialista (mas emocionante) dos seus seres sobrenaturais. Na verdade, o nome desta reta final, é um só: Eric Northman, o vampiro nórdico milenar que pôs em cheque e em evidência a humanidade aparentemente perdida por um ser imortal.

Porém, antes de comentarmos sobre Eric e toda a trama apoteótica que o cercou, vou abrir um pequeno espaço para falar dos arranhões pontuais na temporada, sendo que dois deles já foram tratados, eum continua me incomodando. Sam, por exemplo, começou com um plot que prometia se aproximar do eixo central envolvendo o Governador, só que infelizmente jogaram o boss do Merlotte´s para um lenga-lenga com Alcide. Mesmo sofrendo com a morte de Terry, fico feliz que a despedida do cozinheiro tenha catalisado o retorno do metamorfo à Bon Temps e reduzido consideravelmente a participação dos lobos na história (Alcide desistiu do “I am the Packmaster”, deus uns tapas na boringsomem e partiu pra ser friendzone novamente) ao trazer uma Nicolle grávida e aparentemente marcada para viver mais um tempo. Com dois personagens posicionados em suas devidas relevâncias, chega o problema Warlow. Entendo perfeitamente que o sangue do vampiro-fado foi essencial para os desfechos que vimos, mas o desenvolvimento da sua relação com Sookie continua aleatório. As cenas da (sa)fada consolando seus amigos ou batendo boca com Bill (nos diálogos mais divertidos) foram bem melhores do que o esfrega de roupa suja na dimensão luminosa (vocês notaram que devem fazer uns 3 dias que Warlow não toma banho e Sookie quase seguiu ele na escolha?) com promessa de amor eterno que não colou nem pra moça prometida.

No merecido destaque que Terry teve, o que mais saltou aos olhos foi a referência declarada ao tratamento que Six Feet Under dava para a morte. Durante três episódios vimos o preparo do enterro, as reações variadas dos Bellefleur, e a certeza do quão forte é a amizade daqueles caipiras. Holly foi um porto seguro tanto para Andy quanto para Arlene, Lafa usou de toda sua cretinice para animar uma família devastada, e Sookie foi a Sookie preguiçosa que arranjou mais uma desculpa para faltar dois dias no emprego, porém deu uma guinada louvável ao fazer o discurso emocionado antes das palavras de Arlene. Anna Paquin é uma linda e esteve de parabéns, ela roubou a cena em dois momentos memoráveis: o desabafo amargurado no túmulo dos pais e as já mencionadas palavras para aliviar a dor da amiga. O que merece uma bem-vinda menção é o cuidado que a produção teve com os flashbacks. Senti de verdade que eu tinha retornado àquela noite distante onde Sookie conheceu Bill, afinal até o figurino do Lafa estava idêntico. Terry se foi, deixou saudades, mas teve a maior e melhor despedida da série. Parabéns aos envolvidos.

O destino do Governador Burrell poderia ter soado precoce se a Irmã Zuleide do mal,a.k.a. Sarah Newlin, não tivesse feito uma fita bem mais divertida. Sou suspeito em falar, pois desde a segunda temporada eu já achava o trabalho da Anna Camp(as Anna´s da série nos holofotes!) sensacional, porém o descontrole de Sarah depois que Burrell morreu foi tão bem trabalhado quanto a sede de vingança de Eric. Como se tivesse saído da mais caricata das novelas da Rede Globo, Sarah agora toda vestida de branco, assombrou os Campos do Governador com um ar psicótico que se resume num orgástico “Thank you, Jesus!” ao matar de forma estilosa e bem humorada a representante do Tru Blood na Louisiana. Sarita também foi a única sobrevivente do ataque de Eric a instalação, e ganhou uma cena espetacular com Jason, onde o brilho do texto e das atuações arrepiaram em significado e execução.

Quando Eric apareceu pela primeira vez sentado na cadeira do Fangtasia como um poderoso e enigmático líder, poucos suspeitavam do escopo que seria destinado a ele. Desde que a sua relação com Godric ganhou o melhor espaço da série que percebemos o quão bom ator Alexander Skarsgård é. Nunca houve uma trama sequer que o viking não defendesse bem. Sendo Nora o maior eco da história com o seu maker, é justo dizer que todo o caminho trilhado por Eric após o trágico destino da irmã fosse carregado de uma fúria impressionante. O grito desesperado quando a vampira implodiu nos seus braços e o desdém insano diante das ameaças de Billith já ditava o que veríamos no massacre que ocorreu nos Campos, mas antes disso o fato do vampiro poupar a jovem fadinha depois de beber seu sangue, ou mesmo quando permitiu que o próprio Warlow vivesse foi mais uma alegoria para os ensinamentos altruístas de Godric escancarados quando o viking prometeu para Nora que a salvaria no passado.

Cego de ódio, nem o prazer de andar no sol novamente pareceu abarcar o desejo de vingança potencializado na cena em que Eric arranca os bagos do cientista com a mão e deixa o cara sangrar até a morte. Depois disso, cada nova cela que o vampiro abria acrescentava mais um horror aos humanos que patrocinaram os Campos. Nesse meio tempo a chegada de Bill (perdidão no meio da bagaceira) ainda rendeu o status de “salvador”, porém convenhamos, ele só “roubou” a ideia de Eric em se entregar para os vampiros presos na Sala do Sol. Mais emocionante do que a alucinógena reação das criaturas a luz, foi a quebra simultânea das garrafas de Tru Blood. Uma cena pontual e que surgiu como um poético desfecho para tudo o que vimos. Na verdade, a poesia mesmo veio com o lacrimoso “adeus” de Eric, rumo a imensidão azul da qual foi privado a mais de mil anos. Não se preocupe Pam, achou que ele não vai nos deixar, assim a gente torce.

P.S.: Ginger! Ginger! Ginger! Ginger is back! Deu tanta saudade que ela gritou por mais tempo do que eu esperava. Fiquei feliz.

P.S.2: Morte de diva para o Newlin. Ri demais com a declaração de amor para o Jason no final.

P.S.3: Sookie rindo ao perceber que não trabalha já faz um tempo quando o Sam menciona as faltas inexistentes do Terry no enterro foi outro detalhe divertido.

P.S.4: Tá, confesso que acho legal o Jason com a vampira beata!

Comente pelo Facebook

Comentários

Deixe uma resposta