Review: Arrow S03E02 - Sara

Este texto pode conter pequenos spoilers.

SaraDepois do chocante gancho deixado pelo episódio anterior, é hora dos personagens de Arrow lidarem com a perda. E cada um tem um jeito particular para isso, provando que a morte de Sara irá afetar o “Time Arqueiro” por um bom tempo durante esta terceira temporada, o que reforça o impacto de sua passagem por Starling City. E é importante que a série vá pelo caminho escolhido essa semana, o de focar inteiramente nas ramificações do brutal assassinato da Canário.

Há de tudo, um pouco em Sara. Oliver bancando o detetive, Laurel dando passos largos para o que pode ser uma mudança radical em sua vida, um vilão realmente ameaçador que promove um interessante jogo de gato e rato, mesmo não chamando atenção para si, Roy tomando a decisão de contar sobre o bilhete deixado por Thea, Felicity fazendo uma escolha importante para o seu futuro... E, como quase sempre, o roteiro de Arrow acerta em dar o tempo necessário para todas as subtramas e personagens.

Mesmo com grande parcela do tempo destinado à investigação para descobrir os planos de Komodo (Matt Ward), antagonista introduzido recentemente nas HQs, a força do episódio está mesmo em seus personagens, mostrando que a série parece cada vez mais disposta a investir em seu elemento humano, sem perder o ritmo ágil do qual sempre lançou mão. O antagonista promove uma caçada de alvos aparentemente randômicos, deixando a equipe intrigada com os motivos da morte de Sara. Mas será que ele é mesmo o arqueiro que a matou?

Komodo nas HQs foi um personagem criado para alterar o status quo de Oliver e ambos travam uma verdadeira guerra ao redor do mundo. Aqui, o personagem é um assassino de elite, um desafio físico à altura do herói e só. É uma decisão estratégica não fazer o personagem crescer demais, para que não distraia o público do que realmente importa. Dessa forma, este antagonista é o primeiro que se beneficia totalmente de uma característica sempre apontada como problema do programa: o de não desenvolver seus vilões e até desperdiçá-los simplesmente matando-os.

Continuando a jornada de Oliver no passado, em Hong Kong, há uma participação um tanto sem sentido de Tommy Merlyn (Colin Donnell). Para o fã talvez seja interessante rever o personagem, mas no fim, não havia muito que fazer com ele. O espectador já sabe que não houve encontro algum entre ambos e que logicamente o plano de Amanda fazer o jovem Queen matar o amigo falhou. Mesmo que seja um degrau para mais uma etapa do treinamento do protagonista, poderia ser qualquer pessoa ali; Oliver certamente encontraria dificuldades ao ser confrontado com a missão de matar alguém aparentemente inocente.

Enquanto tudo isso acontece, ainda surge tempo para Ray Palmer insistir em recrutar Felicity. Novamente, Brandon Routh surge natural no papel, quase como se fosse parte do elenco há tanto tempo quanto qualquer outro dos atores veteranos. No entanto, seu personagem ainda não disse muito a que veio e sempre fica aquela vontade em saber quando ele irá se transformar no herói Eléktron (se é que isso vai ocorrer nesta temporada).

Colocando Laurel no centro de seus momentos mais emotivos, o episódio inicia o que parece ser a transformação da moça na futura Canário. A cena no hospital, quando interroga uma testemunha do ataque de Komodo só demonstra o quão abalada a personagem está, trazendo ecos de sua personalidade frágil, como exibida na segunda temporada. Mas desta vez a impressão é que a irmã de Sara está mais preparada para lidar com a dor. Sua válvula de escape certamente não será mais a bebida ou remédios, mas sim a sede de vingança e justiça. Como ela irá exteriorizar esses sentimentos é que definirá o tipo de justiceira que ela irá se tornar. E, principalmente se Oliver a aceitará em seu time de heróis. Aliás, é bom ver o protagonista se posicionando como líder, mesmo à custa de seus próprios sentimentos.

Sara

Esta terceira temporada parece seguir uma trama contínua ainda mais abrangente do que a anterior. Apesar de lidar com um vilão por episódio, a sensação de série procedural não existe mais, com cada episódio já dando a deixa para o próximo e cada decisão tomada movendo a história sempre para frente. Isso deve trazer personagens ainda menos estáticos e a melancólica montagem no último ato lida exatamente com isso. Foram apenas dois episódios e tanto já aconteceu que Arrow parece incansável em jamais deixar seus protagonistas e coadjuvantes confortáveis. E é assim que se cria boas histórias, sem medo de mexer no estabelecido.

Alexandre Luiz

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