Review: Arrow S04E23 - Schism (Season Finale)

O terceiro ato do final de temporada de Arrow é exatamente isso. Um clímax, com 43 minutos, em que o tempo é totalmente gasto com o confronto derradeiro entre o Arqueiro Verde e Damien Darhk. Assim como acontece desde o segundo ano da série. E, também como é de praxe, a batalha ocorre nas ruas de Star City. Mesmo que funcione a níveis narrativos, pois adiciona agilidade à trama, fazendo deste, um episódio totalmente focado na ação, denota o desgaste enfrentado pelos realizadores do seriado, que, aparentemente, se encontram em uma espécie de looping, em que todo fim de arco principal, utilizam os mesmos artifícios e as mesmas referências (a série usou, de novo, elementos de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge).

O roteiro de Schism até usa os elementos temáticos apresentados durante a temporada de forma mais satisfatória que o final de The Flash, por exemplo. O problema aqui é que Oliver, que deveria aprender que, sim, existe espaço para otimismo em sua vida (como reforça a participação de Curtis, num dos melhores momentos do episódio), acaba cometendo um ato derradeiro que pouco mostra evolução, uma vez que chega até a remeter o tempo em que estava na ilha, como mostram os flashbacks.

Como é focado em ação, muito dos problemas textuais são bem "escondidos" pelas sequências agitadas, que estão entre as melhores desta quarta temporada, graças a boa direção de John Behring. Mesmo assim, é difícil não levar em conta a facilidade que o Time Arqueiro tem de aceitar a ajuda de Malcolm Merlyn. Ou ainda o plano de última hora para livrar a cidade do míssil nuclear. Ou a já citada incoerência quanto às decisões de Oliver. Tudo ocorre sem qualquer preocupação com fluidez, fazendo com que atitudes assim soem forçadas e simplesmente jogadas no meio da ação. Mesmo o drama de Diggle e Lyla soa estranho, com o casal andando de um lado para o outro, encontrando tempo para discutir a relação enquanto o mundo todo está para acabar.

Existem boas ideias, como a do protagonista assumir a liderança da cidade, fazendo um discurso piegas para a população. A pieguice é, de certa forma, bem-vinda, pois fortalece a mensagem heroica que, aparentemente, era o objetivo da temporada, com todo o esforço feito pelos 22 episódios anteriores em estabelecer a persona do Arqueiro Verde. Aqui, a série caminha para uma adaptação mais fiel de seu protagonista, que desde os anos 70, nos quadrinhos, se tornou um herói das massas, pronto para cuidar daqueles muitas vezes negligenciados pelos outros colegas de colant colorido. Oliver, assim, se divide por completo, criando a imagem de líder para sua identidade civil, separando muito bem a sua personalidade como justiceiro da cidade. Mas o Arqueiro também é um símbolo, ou seja, deveria partir dele, também, o bom exemplo. Como bem lembra Darhk, este é o herói que não matou nem mesmo o homem que assassinou sua mãe, numa luta, inclusive, fora dos holofotes. Não soa incoerente, então, que, mesmo com toda a desculpa do mal representado pelo antagonista, a decisão de ceifar sua vida venha justamente aos olhos de toda a cidade que deseja inspirar?

No final, fica mesmo a impressão que Arrow se esgotou. Flashbacks pelos quais ninguém mais se interessa (incluindo os roteiristas, pela falta de inspiração dessas tramas no passado), desfechos de temporada que parecem se repetir ano após ano, e personagens que pouco tem a oferecer e parecem fadados a personalidades estáticas, que, quando dão qualquer indício de mudança, logo voltam ao status quo original, ou algo muito próximo disso.

Levando em conta as derivadas, Flash e Legends of Tomorrow, e até mesmo Supergirl, que compartilha a mesma equipe criativa, a série do Arqueiro se tornou a mais fraca. Enquanto as outras focam nas relações entre os personagens, Arrow está perdida pois não demonstra indícios de crescimento. Se havia qualquer esperança de que finalmente Oliver abraçaria seu lado inspirador, os realizadores dão um banho de água fria nos fãs com um final tão fraco. A promessa de uma nova abordagem, com o protagonista assumindo a prefeitura de Star City seria muito bem-vinda, se não ficasse aquela impressão de que, nos primeiros episódios da futura temporada, tudo meio que voltará a ser como antes. Se isso ocorrer, inclusive, toda a despedida dos personagens se torna desonesta. Levando em conta uma experiência que caminha para seu quinto ano, no entanto, não seria surpresa alguma.

Alexandre Luiz

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Comentários

1 comment

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    Luís Felipe 28 maio, 2016 at 11:40 Responder

    É triste que o season finale de Legends of Tomorrow tenha sido o melhor deste ano…
    Arrow há muito tempo tem deixado a desejar e esse final de temporada foi uma negação.
    Concordo que as cenas de ação são bem desenvolvidas, mas vamos combinar que repetem muito do que já vimos. O pessoal devia se inspirar na Canário Branco que sempre surge com um movimento diferente.
    Darhk tomando o arco do Oliver e dando uma flechada? Qual o sentido disso? Foi fraco.
    E aquela sequencia de socos dos dois, parecia que estavam brincando de João Bobo, achei que não iam parar mais.

    Adeus Speedy. Eu gostava dela, mas concordo que a história dela já não tem mais pra onde evoluir e, antes que repitam toda a história de conflito com o pai que já acompanhamos desde a segunda temporada, melhor mesmo que ela desapareça da série.

    Diggle deve voltar e, infelizmente, como se nada tivesse acontecido.

    Não sei o que esperar daqui pra frente, mas espero que corrijam os erros cometidos nesta temporada e na anterior e voltem com tudo para o próximo ano.

    Como já comentei na review do Flash, parabéns mais uma vez pelo bom trabalho.

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