Review: Arrow S04E16 - Broken Hearts

ARROWArrow se tornou, há algum tempo, uma série que precisa dividir seus esforços entre ser uma adaptação de quadrinhos com elementos do gênero policial e uma série romântica, sobre um casal formado para agradar os espectadores que fazem parte do público-alvo do canal CW. O problema disso é que, principalmente na terceira temporada, o programa se perde entre as propostas, com roteiros sem foco e que usam o elemento "Olicity" como distração ao quadro geral. Neste quarto ano, na maior parte do tempo, os realizadores conseguiram equilibrar os elementos mais fantásticos dos quadrinhos, chamando mais atenção para a trama central, mas mantendo o relacionamento de Oliver e Felicity de forma até divertida e aceitável. Mas, depois do decepcionante episódio anterior, ficou muito claro o quão frágil essa abordagem pode ser quando as intenções da série entram em conflito com as expectativas quase infantis que a produção assume fazer parte de seus espectadores.

Broken Hearts é vítima dessa falta de foco da série. Traz de volta uma vilã divertida, Cupido, quase uma versão arqueira da Arlequina em suas outras aparições, mas sem dar a ela qualquer material interessante para trabalhar. Tudo porque o texto "precisa" abordar o romance e usa a antagonista como desculpa para fazer Oliver e Felicity discutirem a relação. No meio de tudo isso, o mais importante para o desenvolvimento da trama, ou seja, os desdobramentos da prisão de Damien Darhk e seu julgamento preliminar, se torna mero pano de fundo.

A reação de não aceitação por parte de Oliver faz um desserviço ao personagem, já que o mostra como um homem controlador quase ao nível do Homem Púrpura de Jessica Jones. E, mesmo que Felicity o coloque em seu lugar na resolução do episódio, se a situação pode ser comparada à atitude de um vilão, não é um fator positivo para a, já capenga, caracterização do protagonista. A série parecia investida em mudar Oliver e no começo da temporada isso foi muito bem abordado, mas já faz alguns episódios que os caminhos tomados estão servindo apenas para piorar o personagem, trazendo de volta elementos de sua persona abandonados em favor de sua evolução.

Toda a parte de tribunal, no entanto, é bem desenvolvida, apesar dos argumentos rasos entre acusação e defesa que fariam corar qualquer advogado que se propusesse a assistir ao seriado. Mas, o que importa neste caso são as ramificações do caso na vida do Capitão Lance. Damien Darhk consegue se manter ameaçador aos olhos do espectador sem dizer uma palavra sequer, algo que pesa muito em favor do vilão. A forma como a trama caminha chama atenção para o ponto de virada. Não há mais volta para que o personagem engane a opinião pública, ou seja, talvez seja o momento de se assumir totalmente como o homem que está mantendo Star City praticamente como refém, mesmo que a população não tenha conhecimento da extensão de sua influência.

Nos flashbacks, os elementos místicos passam a se aproximar do que está acontecendo no presente, mas sem muita empolgação. Novamente a sensação é de que o texto dá voltas e não sai muito do lugar, até porque o espaço dedicado ao passado nunca é consistente. Com o tempo de tela variando de episódio a episódio a impressão sempre é a de que não existe muita história a ser contada neste período e tudo não passa de gordura para manter a duração do episódio no padrão exigido pela emissora.

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O retorno desaponta na forma como desperdiça Cupido, e mais ainda na resolução forçada, baseada em um discurso muito piegas escrito para Felicity. Enquanto o episódio da semana em Flash caminha por uma trilha parecida, com a ameaça de um vilã enquanto os heróis precisam resolver a situação principal, Arrow se difere, negativamente, por não dar a devida atenção à personagem. Se a Trajetória na série do velocista é um raro caso de antagonista com background convincente, a adaptação do Arqueiro Verde é extremamente preguiçosa com sua ameaça, colocando-a na trama apenas pela incompetência em manter a atenção do espectador com o elemento que, nas mãos certas, daria abertura a mais desenvolvimento, ou seja, a história que realmente interessa na temporada, sobre Darhk e seu conflito com Oliver e sua equipe.

Alexandre Luiz

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