Sobrenatural- A Origem : Uma das poucas histórias de origem dignas dentro do terror

Sobrenatural- A Origem : Uma das poucas histórias de origem dignas dentro do terrorSobrenatural: A Origem é o terceiro filme da franquia de terror e assombração conhecida originalmente como Insidious. Lançado em 2015, tem uma história que se baseia em clichês de assombração, poltergeist e interferências sobrenaturais na vida cotidiana de gente comum, se utilizando também de alguns dos personagens que apareceram no primeiro filme lançado da franquia, no caso, Sobrenatural.

Como o próprio nome já diz é uma história de origem, uma prequela, que conta a história do passado de Elise Rainier, a médium que ajuda a família Lambert e que é interpretada por Lin Shaye.

A história versa sobre uma adolescente que busca a ajuda da médium Elise Rainier, depois que uma entidade espiritual começa a atormentá-la. Em meio a dúvidas vocacionais, a senhora utiliza as suas habilidades e descobre a que os ataques ocorrem graças a interferência de um demônio.

Esse capítulo é comandado, escrito e atuado por Leigh Whannell, que estreia na função de diretor, depois de colaborar com James Wan na maioria dos seus filmes de gênero desde Jogos Mortais. Essa é uma coprodução de entre Reino Unido, Canadá e Estados Unidos da América.

O filme foi feito pelos mesmos estúdios dos dois primeiros, com a Blumhouse Productions capitaneando, estando junto da Entertainment One e Stage 6 Films.

Os produtores foram Jason Blum, Oren Peli e James Wan. São produtores executivos Lia Buman, Brian Kavanaugh-Jones, Charles Layton, Xavier Marchand, Peter Schlessel e Steven Schneider

O longa teve distribuição caseira da Gramercy Pictures e Focus Features, sendo veiculado pelo mundo através da Sony Pictures Releasing International.

Foi rodado todo em Los Angeles e Hollywood. Houveram cenas em 929 South Broadway em Downtown Los Angeles, também em 445 N Ave 53, na Fleur De Lis Apartments - 1825 Whitley Ave em Hollywood.

O título original do longa é Insidious: Chapter 3. Na Argentina é La noche del demonio (capítulo 3), na parte francesa do Canada é Insidieux: Chapitre 3. Na Estônia é Astraal 3, na Itália é Insidious 3 - L'inizio, na Espanha é Insidious (capítulo 3) e em Portugal é Insidious: Capítulo 3.

Sobrenatural- A Origem : Uma das poucas histórias de origem dignas dentro do terror

Como dito antes, Whannell começou a carreira escrevendo roteiros. Com Wan ele participou da gênese de Jogos Mortais, do curioso Silêncio Mortal e Sobrenatural. Também escreveu Jogos Mortais 2 e Jogos Mortais 3. Ele estreou como diretor nesse, depois fez o curioso Upgrade e o elogiado O Homem Invisível.

Blum é proprietário da Blumhouse e é um produtor de mão cheia. Seus filmes mais famosos são Infiltrado na Klan, Corra! e A Caçada. Recentemente foi produtor em Imaginário: Brinquedo Diabólico, Exorcista O Devoto e Dezesseis Facadas.

Oren Peli é lembrado por iniciar a saga Atividade Paranormal, sendo produtor e diretor do primeiro filme. Ele é lembrado por ser produtor também de todos os filmes da franquia Insidious, incluindo Sobrenatural 2, Sobrenatural: A Última Chave e Sobrenatural: A Porta Vermelha, além das sequências de Atividade Paranormal.

Wan dirigiu os dois primeiros filmes da franquia Insidious. Foi produtor em Mortal Kombat, M3gan, A Freira 2, Mergulho Noturno. O malaio foi produtor executivo nas séries Monstro do Pântano e MacGyver, também nos filmes Espiral: O Legado de Jogos Mortais e Jogos Mortais X.

Esse Sobrenatural: A Origem se passa em 2007 enquanto Sobrenatural e sua sequência Sobrenatural: Capítulo 2 se passam em 2010. A narrativa desse inicia com um letreiro avisando que a história se passa alguns anos antes da assombração dos Lambert.

A trama acompanha Quinn Brenner, personagem de Stefanie Scott, de Querido Menino, que é a jovem que procura ajuda de Elise. Ela procura a paranormal por um motivo simples e nada maligno, só gostaria de contatar sua mãe que morreu de causas naturais há pouco tempo.

No entanto ela esbarra em uma dificuldade considerável: a médium decidiu se aposentar, e não quer ajudar a menina. Elas até tentam contatar a parente da menina, mas essa primeira tentativa é interrompida, graças ao receio da senhora em estar acidentalmente invocando um espirito malvado.

Quinn então segue seus dias com sua família, cuja rotina é mostrada em detalhes. É tudo tão colorido no início que nem parece que essa é uma obra de horror no começo. Whannell escolhe demonstrar a calmaria e tranquilidade desse núcleo de personagens da maneira mais óbvia e indiscutível possível.

Os Brenner vivem o seu luto, mas não se abatem por isso, seguem bem, apesar de eventualmente demonstrarem tristeza. Quem de fato parece mal é justamente Quinn. A menina tem desejo de ser atriz e faz um teste para uma peça de teatro. Esse trecho é curioso, pois envolve uma cameo de James Wan, idealizador da saga que estava filmando Velozes e Furiosos 7 na época.

Ele faz o diretor do espetáculo, ou seja, faz um papel semelhante ao que sempre exerce nos filmes em que participa. Depois do teste a menina sofre um acidente de carro muito feio.

A cena em si é bastante gráfica e assustadora, mais até do que várias das aparições de espíritos até então. É a partir desse ponto que o quadro muda, o caráter do filme se assume diferenciado e segue para algo maior.

A partir de agora falaremos com spoilers. Leia sabendo disso.

Sobrenatural- A Origem : Uma das poucas histórias de origem dignas dentro do terror

O motivo de Quinn ter se distraído foi uma aparição não natural, obviamente. Ou seja, o fantasma, espectro ou o ser que o valha ajudou a causar uma quase morte.

Não fica claro o que ou quem ela é, mas aparentemente foi alguém não bem-intencionado. A menina aparece em um cenário que lembra a dimensão espiritual do Além (Further) que é o lugar onde os mortos ficam, em uma espécie de limbo entre paraíso e inferno.

Ela percebe uma ambientação escura, com detalhes em azul. Nota também que há uma criatura monstruosa e bizarra, que nesse trecho não permite ao público vislumbrar claramente qual é a sua aparência, ainda assim parece uma pessoa feia e adoentada.

A menina retorna para casa com as pernas engessadas. Ela quebrou ambas no impacto do atropelo. Sua desgraça é tão caricatural que beira a comicidade. Esse aliás é um dos detalhes do filme, que parece ser meio em tom de piada, às vezes intencional e em outras não.

Whannell consegue variar bem entre momentos de sustos bobos e outros mais sérios. Há muitos jumpscares, mas eles são colocados de forma criativa, especialmente, mas com o passar do tempo ele acaba abusando desse subterfúgio.

Há quem diga que ele tentava emular Wan, mas não é tão agressivo nesse aspecto quanto os chamados "minions" do diretor malaio que estiveram nas sequências do Invocaverso, especialmente Corin Hardy de A Freira ou Michael Chaves de A Maldição da Chorona.

O cineasta faz um uso curioso da câmera presa a um mecanismo estilo steadicam, utilizando a filmagem para passear pelo cenário. Ele toma tempo do espectador, investe na criação de uma atmosfera diferenciada. O desenrolar das aparições dentro da casa dos Brenner tem uma certa importância, embora seja banalizada em alguns momentos, de modo que parece até simplório.

Whannell retorna com alguns atores que trabalharam antes na franquia. Além de Shaye, dele próprio como Specs e de Angus Sampson que faz Tucker, também trouxe a atriz Corbett Tuck, que interpretou a enfermeira Adele e o fantasma da Doll Girl no primeiro filme. Aqui ela faz uma personagem chamada Danielle, que pode ou não ser a mesma personagem. Vale lembrar que Tuck é casada com o diretor desde 2009.

Elise demora a retornar a trama, só volta a aparecer depois do primeiro terço de filme. Ela decide ajudar a menina, mesmo achando uma tolice voltar a fazer as investigações paranormais.

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Não fica claro se ela tem alguma revelação clarividente a respeito do seu futuro. Há elementos que apontam para o fato de que ela percebe que em breve morrerá, mas tudo fica no campo da ambiguidade.

A grande questão é que as referências aos outros filmes parecem ter um caráter cômico, sempre tendendo a ser encarado como piada, em um tom quase escrachado.

De qualquer forma ela retorna e toma para si a máscara de protagonismo, o que é bom, afinal a segunda metade do filme perde força em comparação com a primeira.

As partes de sustos com os fantasmas são bem ruins, parecem versões menos inspiradas do que se vê nos filmes de Wan. Soam genéricas, com Whannell mimetizando os jargões do cineasta malaio, acompanhado da música grave de Joseph Bishara, que isoladamente, está bem, mas que não encaixa tão bem quanto nos outros filmes.

A direção de fotografia não é muito inspirada também. O cinematógrafo é Brian Pearson, sujeito que vem de experiência em televisão, das séries Smallville e Mestres do Terror, além do clássico nível C Karatê Dog: O Cão Marcial.

Boa parte das cenas é difícil de identificar a ação e a ambientação. Seu trabalho difere bastante do que John R. Leonetti fez antes, por um lado o longa ganha um frescor, parece mais moderno, por outro fica deslocado, não parece nem estar alguns anos no passado, tampouco parece estar na mesma linha temporal dos outros capítulos da saga, dada a grande diferença visual entre os filmes.

A assombração possui uma personalidade galhofeira, só ataca em momentos inoportunos, tantos que parece até estar fazendo piada. O pai da protagonista Sean (Dermot Mulroney) chega ao cúmulo de largar completamente a performance de homem cético, já na primeira manifestação dele.

Normalmente se demora mais a transformar alguém não crédulo em um homem que acredita, mas a transição é bem rápida, chegando ao cúmulo de ele tentar puxar a própria filha para dentro do quarto dela, quando a mesma se projeta pela janela, em um movimento que seria difícil para alguém em bom estado de saúde, se torna quase impossível para uma menina de aproximadamente 40 quilos, que tem duas pernas imobilizadas.

O ponto que não é divertido é o que toca Elise. A médium age de maneira traumatizada, perturbada e com medo de ter contato com um espírito que lhe fez mal no passado, enquanto ela tentava falar com seu marido morto. Mas até isso parece uma piada, já que conversa diretamente com um clichê do pós-horror, que é o de "filmes de traumas".

No Além Elise encontra várias criaturas, espíritos que se recusam a partir para seus destinos finais, insistindo em retornar ao mundo dos vivos. Há uma horrenda, muito mal feita, que faz uma face aparecer da nuca, atrás dos cabelos.

Há outros fantasmas, alguns legais, alguns referenciam fantasmas dos outros filmes, incluindo até a Noiva de Preto. Essa é certamente a referência mais torta, porque ela antecipa o desfecho óbvio da personagem.

Mais uma vez Elise desiste, fazendo assim que Alex, o filho mais jovem da família chame os Spectral Sightings, uma dupla excêntrica, que posta vídeos na internet em eventos supostamente paranormais.

São Specs e Tucker, antes de serem parceiros da agente paranormal.

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Na jaqueta de Specs pode ser visto o logotipo de Casper, o icônico fantasma amigável que no Brasil se tornou Gasparzinho: O Fantasminha Camarada. Eles estão bem diferentes do que se viu antes, descaracterizados, se vestem de acordo com o que normalmente se via entre os vloggers dos anos 2000, ainda sem os terninhos estilosos que usariam "depois" na saga.

As partes em que o longa não se leva a sério são as mais brilhantes do filme, como no trecho onde Quinn ataca os dois e seu pai, ignorando até as pernas feridas da menina, quebrando o gesso com golpes bizarros.

O trecho deixa de ser engraçado quando ela quase se suicida. Ao menos se percebe um bom efeito na entidade parasita que habita o interior da menina, onde dá para perceber um olho aberto através do esôfago dela.

A personagem mais brilhante e inconstante retorna pela segunda vez. Elise resolve tentar mais uma vez uma incursão, inclusive impede a expulsão de Specs e Tucker, tomando para si a dupla atrapalhada, dando funções a ambos dentro do processo de rito.

Na dimensão espiritual há algumas tentativas de engodo, incluindo até memórias de Jack Rainier, o marido suicida de Elise. O espírito convida a mulher a se juntar a ele, em outra menção a suicídio bem complicada, para dizer o mínimo. Pelo menos não se desenvolve muito a questão, como acabou sendo espinhosamente referenciado nos recentes Boogeyman: Seu Medo é Real e Sorria.

A figura do espírito antagonista é assustadora. Tencionou-se imitar uma representação visual do câncer, não à toa ele é careca, magro esquálido e com um respirador preso ao rosto.

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A configuração visual assusta e faz lembrar da fraqueza humana diante de doenças.

Chamado de O Homem que não Consegue Respirar, a ideia do cineasta era referenciar a vítima do pecado da preguiça de Seven: Os Sete Crimes Capitais, não à toa foi chamado o mesmo ator para interpretá-lo, Michael Reid MacKay.

Próximo do final o roteiro parece se tornar apressado, desnecessariamente diga-se. A solução de invocar o fantasma de Lilly Brenner (a mãe de Quinn) é bem piegas, tanto que faz a obra parecer uma das fitas antigas da Xuxa, onde o bem vence o mal porquê é assim que as coisas devem ser.

Esse desfecho contrasta com a boa construção visual de Quinn sendo manietada espiritualmente. A maquiagem feita em cima de Scott é muito boa, mostra ela refém, com os olhos vendados por nacos de sua pele. O visual é sinistro.

O filme vale especialmente pela atuação de Stefanie Scott, que não compromete e de Lin Shaye, que tem espaço para brilhar, embora toda a jornada de sua personagem soe confusa.

Também há de se louvar essa como uma boa porta de entrada para Whannell se tornar um cineasta. Aos poucos ele foi melhorando e hoje é um belíssimo diretor, já sem a sombra de seu amigo e colega de faculdade James Wan.

Sobrenatural: A Origem é irregular, tem bons momentos e maneirismos exagerados. É uma sequência que amarra pontas soltas e que é divertida justamente quando não se leva a sério, sendo uma das histórias de origem menos enfadonhas dos últimos tempos.

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