Slumber Party - O Massacre II: A divertida saga de Driller Killer

Slumber Party - O Massacre II: A divertida saga de Driller KillerSlumber Party: O Massacre II é um filme dirigido e escrito por Deborah Brock lançado em 1987. Chamado no Brasil por esse nome ou simplesmente como Massacre 2, sua trama segue a trama do primeiro Slumber Party Massacre, mas investe ainda mais no teor de comédia, narrando as desventuras de uma das sobreviventes da outra festa do pijama de 1982.

Produzido por Don Daniel e pela diretora, tem a mão de Roger Corman como produtor executivo não creditado, dessa vez a narrativa foca em Courtney, que é interpretada por Crystal Bernard, uma cantora pop e atriz de seriados.

Ela substituiu Jennifer Meyers, que foi um dos bons desempenhos dramáticos do clássico, e apesar da mudança, a nova versão do personagem não faz feio. Seu desempenho é cobrado logo no início, já que sofre a desconfiança de sua família, por conta de Valerie ter surtado após o trauma, estando nesse momento em um hospital psiquiátrico.

Ela é tratada como uma "weird", uma menina estranha, introspectiva e pensativa, e para piorar essa condição, ela se depara com pequenos momentos surrealistas antes até da ação começar, como quando ela anda pela calçada e vê uma pomba branca morta no chão, quase sem ferimentos e com pequenos respingos de sangue.

Apesar desses momentos, ela é uma menina comum, com anseios populares e uma tentativa de ser uma moça adolescente de ordem qualquer.

Slumber Party - O Massacre II: A divertida saga de Driller Killer

Crystal é lembrada pela música I Wanna Take Forever com Peter Cetera, que inclusive está na trilha da série recente Bridgerton. Também é conhecida por seus papéis como Helen Chappel-Hackett na sitcom Wings, Amy em It's a Living e K.C. Cunningham na sitcom Dias Felizes.

A questão primordial dessa parte dois da saga é que dessa vez a ideia de fazer uma paródia de Filme de Matança foi mais levada a sério, já que o assassino que ataca as pessoas surge sem explicações, fora que as manifestações de medo e de sustos envolvem vários momentos bizarros e nonsense, a começar por Courtney.

A protagonista é uma personagem de vida social cheia. Ela sempre vai para a escola com sua melhor amiga Amy (Kimberly McArthur), flerta com um sujeito aparentemente mais velho - Matt, personagem de Patrick Lowe de Fúria Primata - tem uma banda de rock, que protagoniza números musicais, com o um conjunto onde apenas garotas tocam.

Então abraçar a melancolia não parece atrativo, ela de fato tem uma personalidade bem diferente de Valerie, parece querer se distanciar da personagem que a irmã mais velha foi, de um modo que mal parece ter conexão com o primeiro filme.

A menina faz todo um drama, de não querer visitar a irmã no dia do seu aniversário, pedindo para ir a uma festa na casa de Sheila (Juliette Cummins). Tudo conspira para que a premissa desse se encontre com inicialmente pensada por Rita Mae Brown, com a diferença pelo fato que a protagonista é quase como um chamariz de atos violentos, tendo em seus sonhos e devaneios uma espécie de convite a um ser maléfico.

Ela sonha com uma estranha figura, um rapaz caucasiano, que usa couro, toca uma guitarra vermelha e tem visual rockabilly. É chamado de Driller Killer e é feito por Atanas Ilitch e repete sempre que o rock'n roll não deve morrer.

No meio da viagem ela parece se arrepender de ir, tem ilusões que pioram, que vão ficando mais violentas, onde o vilão transforma seu instrumento em uma broca como a de Russ Thorn.

Quando está sem o instrumento fica fazendo estranhos passos de dança bem, girando no chão rapidamente, mostrando dotes de difíceis de ver em atores caucasianos.

Slumber Party - O Massacre II: A divertida saga de Driller Killer

Brock tem uma carreira carregada de produções pequenas, fez depois desse As Assombrosas Peripécias de Andy Colby (1989), Rock'n Roll High School Forever (1991) e dirigiu episódios de VR Tropers. Foi co-produtora executiva de Querida Estiquei o Bebê (1992), ou seja, não teve lastro para fazer outras obras tão inventivas quanto esta, tampouco seguiu na ceara de filmes de horror.

Boa parte dos fãs da franquia consideram esse o mais legal dos filmes da (até então) tetralogia, especialmente pelo fato de não se levar a sério e pela aura surreal.

Para os não aficionados, há quem defenda que o longa faz um uso indevido e não sério dos clichês de A Hora do Pesadelo, mas isso é uma injustiça, já que o filme tem uma identidade própria, e que algumas vezes, conversa com o modo de agir de Freddy Krueger, mas não com sua origem ou personalidade.

Se for por isso, mais fácil comparar esse a filmes que lidam com temas musicais, como o bom Fantasma do Paraíso de Brian De Palma que adapta o Fantasma da Ópera ou Heavy Metal do Horror, que é bastante galhofa e também tem um matador espiritual roqueiro.

Lógico que em algum momento, o quarteto de meninas formado por Courtney, Amy, Sheila e Sally (Heidi Kozak Haddad) se mostram meninas fogosas, dispostas a fazer sexo além de serem exibicionistas, afinal, há o dedo de Corman nessa produção.

Também chegam na viagem TJ (Joel Hoffnan) e seu melhor amigo Jeff (Scott Westmoreland), com os dois fazendo papéis bem parecidos com a dupla de amigos Jeff e Neil do primeiro.

TJ e Sheila são um casal (e transam bastante), já Jeff brinca com boneca inflável, e tenta a todo custo pegar Amy, ou seja, eles conseguem ser ainda mais patéticos do que as contrapartes do filme 1.

Os sonhos de Courtney com Driller são realistas e mesmo que ela esteja em pânico, seus amigos não levam a sério, relegam os devaneios a uma ressaca, enquanto ela tem certeza que sua irmã foi morta por esse ser.

Mas como o texto não se leva a sério há vários momentos engraçados, como quando Courtney acha algo estranho em seu hambúrguer, e surge uma mão entre a fatia de pão acima e a carne.Slumber Party - O Massacre II: A divertida saga de Driller Killer

A coisa escala muito rápido, já que momentos depois, um frango cru da geladeira pula na protagonista e solta um líquido preto, tipo petróleo, acompanhado de um riff de Richard Cox, que ajuda a compor uma cena cretina, mas divertida.

As cenas assustadoras são genuinamente boas, como a da banheira transbordando espuma e sangue, perseguindo a mocinha mesmo quando ela sai do lavabo. Courtney é torturada psicologicamente, levada a discutir o tempo inteiro se está sã de verdade, com momentos que envolvem um gore esquisitíssimo, como quando ela imagina Sally com uma espinha, que se agiganta em uma cena e depois vira uma enorme deformação no rosto, que estoura em pus.

Esse é mais um bom trabalho de James Cummins no quesito horror corporal. Ele trabalhou com Stan Winston em O Exterminador (1980) e Enigma de Outro Mundo.

Slumber Party - O Massacre II: A divertida saga de Driller Killer

Entre supostos desaparecimento, apelos a policiais interpretados por Michael Delano e Hamilton Mitchell, que tem nomes sugestivos (são os oficiais Kreuger e Voorhies) o filme segue em sua exploração engraçada.

O grupo ainda fica com fama de drogados, e de fato é uma suspeita de Matt ao chegar, que TJ tenha batizado a água das meninas.

O assassino finalmente se revela aos 51 minutos, matando o parceiro sexual de Courtney. Ele desfere golpes com a guitarra-broca, membros arrancados e expostos, além da inegável participação do psicopata dos sonhos ferindo e matando cada um deles.

O argumento negativo contra o filme é que a manifestação do vilão é parte de uma viagem tão louca, que é praticamente impossível escapar. Um antagonista imparável pode tornar o drama em algo negativo.

Ilitch está completamente à vontade, tanto que antes de pegar as duas sobreviventes finais - Amy e Courtney - ele faz um número de dança e lypsinc extremamente calhorda.

Para o público que gosta de peças trash, esse é um prato cheio, que debocha das convenções dos Filmes de Matança e da violência típica desse tipo de produção, sem se preocupar com nexo ou realidade.

Se assassinos passam por cima de tudo, matam, empilham corpos só para punir imoralidades, por que eles devem ser levados a sério?

Se gente que se julga superior aos outros por ter um código de conduta casto, que assassina terceiros só porque esse estilo de vida não combina com suas crenças, por que alguém assim tem que ser temido e não tratado como piada?

A resposta para essas duas questões é dada aqui com uma motivação inexistente, e uma piada em formato de longa-metragem, com 77 minutos, que inclusive passam muito rápido, e que certamente seria ainda mais divertido se tivesse mais mortes, mais piadas e mais exploração do absurdo.

Slumber Party Massacre 2 é divertidíssimo, superando em originalidade o primeiro, mesmo tendo tantos clichês em si. A condição de não se levar a sério é mais palpável nesse em comparação com o primeiro, e ainda antecipa comentários metalinguísticos de Pânico e um pouco das comédias sobre gênero como Todo Mundo Quase Morto e Tucker e Dale Contra o Mal, só que no olho do furacão da onda slasher, e não anos depois do gênero já ter se desgastado.

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